I.A Generativa e os Desafios do Direito Digital

Felipe Bonani • 9 de julho de 2025

A Inteligência Artificial Generativa (IAG) está revolucionando mercados, transformando a forma como criamos conteúdo, automatizamos processos e até tomamos decisões.

Mas, como toda inovação disruptiva, ela traz desafios jurídicos que exigem atenção estratégica. Vamos explorar os principais pontos críticos e como o Direito Digital está sendo desafiado a se reinventar.


1. Autoria e Propriedade Intelectual: Quem é o dono da criação?

A IAG levanta uma questão central: quem detém os direitos autorais de uma obra gerada por IA?

  • No Brasil: A Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/98) reconhece a autoria exclusivamente para pessoas físicas. Isso significa que, em princípio, criações feitas por IA não têm proteção autoral, a menos que haja intervenção humana significativa.
  • No mundo: Nos EUA, já houve decisões que negaram proteção autoral a obras criadas exclusivamente por IA, reforçando a necessidade de autoria humana.

Impacto prático: Empresas que utilizam IA para criar conteúdo precisam revisar contratos e políticas de propriedade intelectual para evitar disputas legais.


2. Responsabilidade Jurídica: Quem responde pelos danos?

Se uma IA gera conteúdo prejudicial, enganoso ou discriminatório, quem será responsabilizado?

  • Possíveis responsáveis:
  1. Desenvolvedores do software.
  2. Fornecedores dos dados de treinamento.
  3. Usuários finais que utilizam a ferramenta.

No Brasil, o Projeto de Lei 2338/23 busca regulamentar o uso da IA, incluindo diretrizes para a responsabilidade civil. Já existem decisões judiciais responsabilizando empresas por prejuízos causados por sistemas de IA mal utilizados.

Exemplo prático: Imagine um chatbot gerado por IA que dá conselhos financeiros errados, causando prejuízos. A responsabilidade pode recair sobre o desenvolvedor ou a empresa que o utiliza.


3. Dados e LGPD: O calcanhar de Aquiles da IA

A IA generativa depende de grandes volumes de dados para aprender e gerar resultados. Mas isso entra em conflito direto com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que exige:

  • Transparência na coleta e uso de dados.
  • Consentimento explícito do titular.
  • Proteção contra transferência internacional de dados sem garantias adequadas.


Um estudo da FGV revelou que nenhuma das ferramentas de IA generativa mais populares cumpre integralmente a LGPD no Brasil. Isso representa um risco jurídico significativo para empresas que utilizam essas tecnologias.

Oportunidade: O legal design pode ajudar a criar fluxos de consentimento claros e acessíveis, garantindo conformidade e reduzindo riscos.


4. Legal Design: Soluções práticas para desafios complexos

O legal design surge como uma abordagem inovadora para enfrentar os desafios da IA generativa. Ele pode ser usado para:

  • Criar contratos e políticas de uso mais claros e acessíveis.
  • Desenvolver fluxogramas que expliquem responsabilidades e riscos.
  • Simplificar a comunicação jurídica para empresas e consumidores.


Exemplo: Um guia visual que explique como os dados são usados no treinamento de IA, garantindo transparência e confiança.


5. O Que Muda na Prática?

Aqui estão 5 passos para empresas se prepararem:

  1. Revisar contratos de propriedade intelectual: Inclua cláusulas específicas para criações feitas por IA.
  2. Implementar políticas de conformidade com a LGPD: Garanta que dados usados no treinamento sejam anonimizados e protegidos.
  3. Monitorar decisões judiciais: Esteja atento às regulamentações emergentes, como o PL 2338/23.
  4. Adotar ferramentas de legal design: Simplifique a comunicação jurídica e reduza riscos.
  5. Treinar equipes internas: Capacite times de TI, jurídico e marketing para entender os limites e possibilidades da IA generativa.


Conclusão: Um campo fértil para inovação e conformidade

A Inteligência Artificial Generativa não é apenas uma tendência; é uma revolução. Mas, para colher seus benefícios, é essencial navegar pelos desafios jurídicos com estratégia e visão de longo prazo. O futuro pertence a quem souber unir eficiência tecnológica com segurança jurídica.


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