O Fim do "Protecionismo às Avessas": TJSP Anula Cobrança Milionária de ICMS e Garante Isonomia

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Como uma decisão sobre querosene de aviação protege as empresas nacionais de autuações fiscais baseadas em critérios inconstitucionais.


A complexidade do sistema tributário brasileiro frequentemente coloca as empresas diante de armadilhas fiscais. Uma das piores ocorre quando a própria legislação estadual cria regras que desfavorecem o empresário local em benefício de concorrentes estrangeiros. No entanto, uma recente decisão da 11ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) trouxe um alívio de R$ 8,4 milhões para uma empresa e um precedente valioso para todo o mercado.


Neste artigo, explicamos como a Justiça barrou essa cobrança desigual de ICMS e o que sua empresa pode aprender com esse caso para evitar o pagamento de impostos indevidos.


Mesma Rota, Impostos Diferentes


A disputa envolveu uma distribuidora de combustíveis de aviação que foi autuada pelo Fisco paulista. O motivo? A empresa deixou de recolher o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) por Substituição Tributária (ICMS-ST) no fornecimento de querosene para aeronaves de bandeira nacional que faziam voos internacionais.


O absurdo da situação residia na legislação estadual: se o combustível fosse vendido para uma aeronave estrangeira, a operação era considerada exportação (e, portanto, imune ao ICMS). Mas se a venda fosse para uma companhia brasileira fazendo a mesma rota internacional, o Estado exigia o imposto.


A Conexão com a Realidade Empresarial


Ao julgar o caso, o relator, Desembargador Márcio Kammer de Lima, utilizou um exemplo cristalino: o querosene vendido para a LATAM na rota São Paulo-Miami é materialmente idêntico ao vendido para a American Airlines no mesmo trajeto. O fornecedor é o mesmo, o produto é o mesmo, o destino é o mesmo.


Cobrar imposto de um e isentar o outro apenas pela "nacionalidade" da empresa compradora viola frontalmente o princípio constitucional da isonomia (que exige tratamento igualitário para contribuintes em situações equivalentes). O Supremo Tribunal Federal (STF) já havia classificado práticas semelhantes como um verdadeiro "protecionismo às avessas", onde o próprio Estado coloca a empresa nacional em desvantagem competitiva no seu mercado de origem.


O Que Muda na Prática?


A anulação desse auto de infração milionário traz lições vitais para empresas de diversos setores:

  • Identificação de Ilegalidades Ocultas: Nem tudo que está na lei estadual é constitucional. Regimes de tributação que criam distinções baseadas na origem ou destino sem justificativa material podem (e devem) ser questionados.
  • Aumento da Competitividade: Empresas que identificam essas falhas na legislação podem reaver valores ou deixar de pagar tributos indevidos, aumentando diretamente sua margem de lucro perante os concorrentes.
  • Segurança em Autuações Fiscais: Receber um auto de infração de milhões (como os R$ 8,4 milhões do caso) não significa que o jogo acabou. Uma defesa técnica robusta, focada em princípios constitucionais, pode anular completamente a dívida.


O Impacto da Falta de Assessoria Especializada


Imagine se a distribuidora de combustíveis simplesmente aceitasse a autuação ou tentasse parcelar a dívida de R$ 8,4 milhões. O impacto no fluxo de caixa seria devastador, podendo até inviabilizar a operação da empresa, enquanto seus concorrentes estrangeiros continuariam operando com margens maiores graças à isenção do Fisco.


A falta de um acompanhamento jurídico e tributário especializado cega a empresa para os seus direitos. Aceitar a interpretação do Fisco como verdade absoluta é o caminho mais rápido para perder competitividade e pagar a conta da ineficiência estatal.


Conclusão


A decisão do TJSP reforça que o Judiciário está atento aos excessos do Fisco e às violações de princípios constitucionais como a isonomia. Se a sua empresa realiza operações interestaduais, comércio exterior ou lida com legislações complexas de ICMS-ST, é crucial manter a vigilância.


Não permita que a tributação desigual prejudique o seu negócio. Busque orientação especializada, faça uma revisão das suas obrigações fiscais e garanta que sua empresa opere com a máxima eficiência tributária e jurídica.


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