Fim do Imposto Antecipado no Cartório: Como a Nova Decisão do CNJ Destrava Inventários Extrajudiciais

Compartilhe

Entenda a revogação do artigo 15 da Resolução nº 35/2007 e saiba como a dispensa do pagamento prévio do ITCMD gera agilidade e fôlego financeiro para os herdeiros.


O momento do luto traz consigo burocracias que, muitas vezes, as famílias não estão financeiramente preparadas para enfrentar. Por muito tempo, o inventário extrajudicial – que deveria ser a via mais rápida e simples – esbarrava em um muro quase intransponível: a falta de dinheiro em espécie para pagar o imposto da herança (ITCMD) antes mesmo de receber os bens.


Recentemente, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) derrubou essa barreira, mudando radicalmente a dinâmica dos inventários no Brasil. Se você tem bens a inventariar, essa é uma das decisões mais importantes da última década.


O Caso Concreto: O fim de um gargalo burocrático


Até agora, a regra (artigo 15 da Resolução CNJ nº 35/2007) era clara e dura: o cartório só assinava a escritura pública de inventário e partilha se os herdeiros apresentassem a guia do ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação) devidamente paga.


Isso gerava um problema crônico. A família herdava imóveis, mas não tinha, por exemplo, R$ 50 mil em caixa para o imposto. Sem pagar, não transferia o imóvel. Sem transferir, não conseguia vender o imóvel por um preço justo para levantar o dinheiro do imposto. Um ciclo travado.


No último dia 18 de agosto de 2026, respondendo ao Pedido de Providências (nº 0008622-24.2025.2.00.0000) movido pelo Colégio Notarial do Brasil, o CNJ revogou essa exigência. O recolhimento prévio do tributo não é mais condição para a lavratura da escritura no cartório.


Essa decisão histórica do CNJ alinha os cartórios ao entendimento que o Superior Tribunal de Justiça (STJ, no Tema 1074) e o STF já aplicavam aos inventários judiciais (arrolamento sumário): o direito à partilha rápida não pode ser refém da arrecadação tributária imediata.


A Conexão com a Realidade: O que muda para as famílias e empresários?


Para quem possui um patrimônio imobilizado (imóveis, terras, cotas empresariais) mas baixa liquidez financeira, a notícia é um respiro. Você regulariza o patrimônio primeiro, assumindo o controle legal dos bens, e resolve a questão fiscal em um segundo momento, diretamente com a Secretaria da Fazenda (Sefaz) do seu Estado.


O Que Muda na Prática? (3 Ganhos Concretos)


  • Fim da "Venda na Bacia das Almas": Antes, herdeiros desesperados vendiam seus direitos hereditários com deságios absurdos (30% a 50% abaixo do mercado) para terceiros apenas para levantar dinheiro rápido e pagar o imposto. Agora, com o bem já no seu nome, você negocia pelo valor real de mercado.
  • Velocidade na Regularização: Sem a espera por liberação de alvarás complexos para venda antecipada de bens (que demoravam meses), a lavratura da escritura no cartório passa a ser quase imediata assim que a documentação cível estiver pronta.
  • Proteção de Ativos Empresariais: Em casos de sucessão de cotas de empresas, a agilidade na partilha sem a trava do caixa permite que os herdeiros assumam rapidamente suas posições societárias, evitando que a empresa sofra com paralisações ou insegurança jurídica de fornecedores e clientes durante a transição.


O Risco do Falso Alívio (Impacto da Falta de Assessoria)

O pagamento foi postergado, não perdoado. O CNJ deixou claro: o cartório tem o dever de comunicar a Fazenda Estadual sobre a realização do inventário.


O grande risco para o leitor desavisado é realizar o inventário e "esquecer" do imposto. A cobrança estadual chegará, invariavelmente, por meio de uma Execução Fiscal. Sem um planejamento jurídico e tributário adequado, a família sofrerá com:


  • Aplicações de multas pesadas por atraso na declaração estadual.
  • Avaliações inflacionadas dos imóveis por parte do Fisco (base de cálculo maior do que a real).
  • Penhora de contas bancárias e do próprio bem recém-herdado.


O momento de postergar o imposto exige ainda mais estratégia para garantir que, quando a conta chegar, ela seja justa e caiba no orçamento planejado da família.


Não deixe o seu patrimônio desprotegido


A nova regra destravou a burocracia, mas a responsabilidade com o Fisco exige cautela e estratégia. Se você precisa iniciar um inventário ou tem um processo paralisado pela falta de recursos para o imposto, nossa equipe pode aplicar essa nova resolução imediatamente em seu favor, garantindo a proteção do seu patrimônio contra surpresas fiscais.



Fale agora com nossa equipe e saiba como proteger sua marca e sua empresa.


Siga-nos nas redes e mantenha-se atualizado
@bonaniadvogados e @rafaeljmbonani para mais atualizações sobre este e outros casos relevantes.


Para mais informações acesse nossas 
Páginas informativas.  


Outros artigos

Por Felipe Bonani 21 de agosto de 2026
Resposta à Consulta Tributária nº 33.958/2026 esclarece que empresas não devem emitir notas de devolução nem buscar cancelamentos extemporâneos quando a mercadoria não circulou. Entenda o impacto na rotina fiscal e como o Simples Nacional pode recuperar tributos.
Por Felipe Bonani 19 de agosto de 2026
Com alta nos pedidos de recuperação judicial e elevada taxa de falências no setor, antecipação estratégica e instrumentos da Lei nº 11.101/2005 tornam-se vitais para a sustentabilidade empresarial.
Por Felipe Bonani 17 de agosto de 2026
Por que a recente decisão do TRF-4 não salva o seu caixa automaticamente e como o Planejamento Tributário Estratégico é a sua única saída real.
Por Felipe Bonani 14 de agosto de 2026
Como uma decisão sobre querosene de aviação protege as empresas nacionais de autuações fiscais baseadas em critérios inconstitucionais.
Por Felipe Bonani 12 de agosto de 2026
Descubra como a Reforma Tributária altera a tributação de heranças e saiba como a engenharia jurídica da Holding Familiar preserva a liquidez e a continuidade dos seus negócios.
Por Felipe Bonani 10 de agosto de 2026
Prorrogação para 1º de janeiro de 2027 concede tempo hábil para a reestruturação tributária e a proteção de patrimônio de produtores rurais e empresas do setor.
Por Felipe Bonani 7 de agosto de 2026
Entenda por que dividir o pagamento na plataforma não divide mais os seus impostos e saiba como reestruturar seu negócio digital para parar de perder dinheiro.
Por Felipe Bonani 5 de agosto de 2026
Entenda o posicionamento dos Tribunais Superiores que permite a adequação dos reajustes de planos empresariais de pequeno porte ao teto da ANS, com restituição dos últimos três anos.
Por Felipe Bonani 3 de agosto de 2026
Descubra como a reclassificação de ativos do imobilizado para o estoque pode transformar a tributação de 34% sobre o ganho de capital em margens presumidas altamente vantajosas.
Por Felipe Bonani 31 de julho de 2026
Entenda por que a nova validação de IBS/CBS nas notas fiscais pode bloquear suas vendas e como se proteger.
Mostrar mais