Herdeiros intensificam a doação de imóveis.

Compartilhe

Proprietários e herdeiros intensificam a doação de imóveis em vida para evitar conflitos e tributações; saiba como proceder


Com as recentes alterações propostas pela Reforma Tributária, observou-se um aumento significativo no número de escrituras públicas de doação de imóveis. No ano passado, foram lavradas 71.252 escrituras, em comparação a 62.683 em 2022. A ausência de planejamento sucessório, especialmente no que tange à doação de imóveis — mecanismo que permite ao proprietário transferir seus bens a terceiros ainda em vida —, frequentemente resulta em intensos conflitos familiares e longas disputas judiciais. Sem um planejamento adequado, o que deveria ser uma transição patrimonial pacífica pode se transformar em um verdadeiro campo de batalha.
Conscientes desses riscos, cada vez mais doadores têm recorrido aos cartórios para formalizar a doação de seus imóveis. No Estado de São Paulo, por exemplo, o Colégio Notarial do Brasil (CNB/SP) registrou um aumento de 13% no número de doações imobiliárias no ano passado. O total de escrituras públicas de doação passou de 62.683 em 2022 para 71.252 em 2023. Esse crescimento está diretamente relacionado às incertezas provocadas pela Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 45, aprovada em julho pela Câmara dos Deputados e atualmente em trâmite no Senado. A proposta da reforma tributária traz alterações na alíquota do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), o que tem motivado muitos proprietários a antecipar a doação de bens.
Atualmente, 11 Estados da Federação, entre eles São Paulo e Minas Gerais, aplicam uma alíquota fixa de 4% sobre o ITCMD. Em contrapartida, outros 15 Estados e o Distrito Federal adotam alíquotas progressivas, que podem atingir até 8%. A reforma tributária, se aprovada, deverá padronizar a alíquota, eliminando a autonomia dos Estados em fixar suas próprias taxas, e estabelecendo um teto de até 8% para todo o país. Caso seja sancionada em 2024, a nova regra entrará em vigor a partir de 2025, respeitando o prazo de 90 dias após a publicação da lei.
No Estado de São Paulo, tramita o Projeto de Lei nº 07/24, que visa modificar a Lei nº 10.705/2000, substituindo a alíquota fixa por uma progressiva. Especialistas alertam que, caso essa mudança seja implementada, os contribuintes paulistas poderão ter de pagar até o dobro de imposto na transferência de bens imóveis. Essa expectativa tem levado muitas famílias a antecipar a transmissão de patrimônio para evitar o impacto de uma eventual elevação da carga tributária.
Além disso, há propostas em discussão no Congresso Nacional que sugerem o aumento da alíquota do ITCMD para percentuais entre 16% e 20%. Tais mudanças afetariam as 17 unidades da Federação que já aplicam a alíquota progressiva, onde a carga tributária aumenta conforme o valor do patrimônio transmitido — quanto maior o patrimônio, mais elevada a alíquota aplicável.
Essa movimentação legislativa reforça a importância do planejamento sucessório para mitigar os riscos de futuras disputas e reduzir a carga tributária na transmissão de bens.       
Em caso de dúvidas, nossa equipe está à disposição para fornecer orientações adicionais via WhatsApp clicando aqui.
Siga @bonaniadvogados e @rafaeljmbonani para mais atualizações sobre este e outros casos relevantes.           

Outros artigos

Por Felipe Bonani 21 de agosto de 2026
Resposta à Consulta Tributária nº 33.958/2026 esclarece que empresas não devem emitir notas de devolução nem buscar cancelamentos extemporâneos quando a mercadoria não circulou. Entenda o impacto na rotina fiscal e como o Simples Nacional pode recuperar tributos.
Por Felipe Bonani 19 de agosto de 2026
Com alta nos pedidos de recuperação judicial e elevada taxa de falências no setor, antecipação estratégica e instrumentos da Lei nº 11.101/2005 tornam-se vitais para a sustentabilidade empresarial.
Por Felipe Bonani 17 de agosto de 2026
Por que a recente decisão do TRF-4 não salva o seu caixa automaticamente e como o Planejamento Tributário Estratégico é a sua única saída real.
Por Felipe Bonani 14 de agosto de 2026
Como uma decisão sobre querosene de aviação protege as empresas nacionais de autuações fiscais baseadas em critérios inconstitucionais.
Por Felipe Bonani 12 de agosto de 2026
Descubra como a Reforma Tributária altera a tributação de heranças e saiba como a engenharia jurídica da Holding Familiar preserva a liquidez e a continuidade dos seus negócios.
Por Felipe Bonani 10 de agosto de 2026
Prorrogação para 1º de janeiro de 2027 concede tempo hábil para a reestruturação tributária e a proteção de patrimônio de produtores rurais e empresas do setor.
Por Felipe Bonani 7 de agosto de 2026
Entenda por que dividir o pagamento na plataforma não divide mais os seus impostos e saiba como reestruturar seu negócio digital para parar de perder dinheiro.
Por Felipe Bonani 5 de agosto de 2026
Entenda o posicionamento dos Tribunais Superiores que permite a adequação dos reajustes de planos empresariais de pequeno porte ao teto da ANS, com restituição dos últimos três anos.
Por Felipe Bonani 3 de agosto de 2026
Descubra como a reclassificação de ativos do imobilizado para o estoque pode transformar a tributação de 34% sobre o ganho de capital em margens presumidas altamente vantajosas.
Por Felipe Bonani 31 de julho de 2026
Entenda por que a nova validação de IBS/CBS nas notas fiscais pode bloquear suas vendas e como se proteger.
Mostrar mais