A Jogada de Mestre da Natura: Arte de Desapegar para Crescer

Felipe Bonani • 15 de setembro de 2025

A venda estratégica da Avon na América Central revela o segredo das gigantes: otimização de ativos e foco implacável para escalar.

No tabuleiro do mercado global, poucas empresas jogam com a audácia e a precisão da Natura. Recentemente, a gigante brasileira de cosméticos anunciou um movimento que, à primeira vista, pode parecer apenas mais uma transação corporativa: a venda das operações da Avon em seis países da América Central para o Grupo PDC por US$ 22 milhões. Mas, para o olhar estratégico, essa é uma aula magna sobre otimização de ativos, foco implacável e a coragem de desapegar para construir um império ainda mais sólido.

 

A história recente da Natura é um case de estudo em fusões, aquisições e desinvestimentos. Em 2019, a empresa chocou o mercado ao adquirir a Avon Products por US$ 3,7 bilhões, criando a Natura &Co, um dos maiores grupos de beleza do mundo. A visão era clara: sinergia e escala. No entanto, o mercado é dinâmico, e a estratégia precisa ser fluida.

 

Nos anos seguintes, a Natura &Co demonstrou uma capacidade ímpar de reavaliar seu portfólio. Primeiro, a venda da luxuosa Aesop para a L'Oréal por US$ 2,5 bilhões. Depois, a The Body Shop para o fundo Aurelius por £ 207 milhões. Cada movimento, uma peça no quebra-cabeça da simplificação e do foco.

 

Agora, a "Avon Card" – as operações da Avon na Guatemala, Nicarágua, Panamá, Honduras, El Salvador e República Dominicana – segue o mesmo caminho, sendo vendida ao Grupo PDC. O valor de US$ 22 milhões, que corresponde a um crédito da Avon Guatemala junto à subsidiária da Natura no México, não é apenas uma entrada de caixa; é a liberação de energia e recursos para o que realmente importa. A Natura continuará fornecendo produtos e licenciando a marca, mantendo uma conexão estratégica sem a carga operacional direta.

 

O que a Natura nos ensina com essa série de movimentos? Que a visão de dono não se apega a ativos por sentimentalismo, mas por valor estratégico. Para empresários e profissionais em Marketing, T.I. e Advocacia, a lição é clara:

 

  • Gestão de Portfólio Ativa: Seu negócio não é estático. É preciso constantemente analisar quais produtos, serviços ou mercados estão contribuindo para o crescimento e quais estão drenando recursos ou desviando o foco.
  • Foco no Core Business: A Natura está se concentrando na integração da Natura e Avon na América Latina, onde a sinergia é mais forte. Onde está o verdadeiro "core" do seu negócio? Onde você é insuperável?
  • Decisões Baseadas em Dados e Visão: Cada desinvestimento da Natura foi calculado para otimizar operações e simplificar a estrutura, posicionando a empresa para um crescimento mais sustentável.

 

O Que Muda na Prática?

 

  1. Ganhos de Eficiência e Foco: Ao se desfazer de operações que não se encaixam perfeitamente na estratégia central, sua empresa libera capital e, mais importante, tempo e energia da liderança para investir em áreas de maior retorno. É a arte de fazer mais com menos, focando no que realmente importa.
  2. Oportunidades de Capitalização: A venda de ativos não essenciais, como os US$ 22 milhões da "Avon Card", pode gerar um fluxo de caixa significativo. Esse capital pode ser reinvestido em inovação, automação (pense em N8N, BotConversa, Flowise!), expansão de mercados-chave ou até mesmo na aquisição de tecnologias que impulsionem seu império digital.
  3. Blindagem Estratégica: Movimentos de M&A (fusões e aquisições) e desinvestimentos, quando bem executados, fortalecem a estrutura da empresa, tornando-a mais ágil e resiliente às flutuações do mercado. É a sua empresa se tornando um camaleão estratégico, adaptando-se e prosperando em qualquer cenário.

 

Impacto da Falta de Assessoria:

 

A ausência de uma assessoria jurídica e estratégica especializada em transações complexas pode transformar uma oportunidade de US$ 22 milhões em um pesadelo. Sem o acompanhamento adequado, sua empresa corre o risco de:

 

  • Perder Valor: Negociações mal estruturadas podem subestimar o valor real dos seus ativos, deixando dinheiro na mesa.
  • Enfrentar Riscos Fiscais e Contratuais: A complexidade de vendas internacionais, como a da Natura, exige um conhecimento profundo das leis fiscais e contratuais de múltiplos países, evitando passivos ocultos e surpresas desagradáveis.
  • Comprometer a Continuidade do Negócio: Uma transição mal planejada pode gerar instabilidade operacional, perda de clientes e desmotivação da equipe, mesmo após a venda.
  • Perder Agilidade no Mercado: A burocracia e a falta de expertise podem atrasar a conclusão de negócios cruciais, fazendo com que sua empresa perca o timing de mercado e oportunidades valiosas.

 

Conclusão:

 

A Natura nos mostra que construir um império digital com alma exige mais do que apenas crescer; exige saber podar, otimizar e focar. Cada decisão de desinvestimento é um ato de coragem e inteligência, pavimentando o caminho para um futuro mais robusto e rentável. Não é sobre o tamanho da sua empresa, mas sobre a inteligência das suas decisões.

 

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